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quarta-feira, 28 de abril de 2010



"Sempre que houver alternativas tenha cuidado. Não opte pelo conveniente, pelo confortável, pelo respeitável, pelo socialmente aceitável, pelo honroso.
Opte pelo que faz o seu coração vibrar. Opte pelo que gostaria de fazer, apesar de todas as consequências."

Osho

terça-feira, 27 de abril de 2010


O Mestre Certo

Os mestres Da-yu e Yu-tang aceitaram o convite para ensinar um alto oficial imperial sobre o Zen. Ao chegar Yu-tang apressou-se em dizer, politicamente:
"Vós pareceis um homem inteligente e receptivo, e isso é muito bom! Creio que serias um bom aprendiz Zen."
Mas Da-yu replicou, sem preocupar-se com suavidades:
"O que dizeis?! Este tolo pode ter uma alta posição, mas não perceberia o Zen nem se este lhe caísse na cabeça!"
O oficial, após ouvir os comentários, disse:
"Ouvindo o que ouvi, agora sei o que fazer para entender o Zen."
A partir de então, tornou-se estudande sob a orientação de Da-yu...






Nada é Desperdiçado

Certo dia, o mestre Yi-shan tomava banho, mas a água estava muito quente. Ele pediu então ao seu discípulo que trouxesse água fria. O discípulo encheu um balde e foi despejando-o devagar na tina de banho, e em determinado momento o mestre disse:
"Está bom, obrigado. A quentura foi diminuída e agora está muito agradável."
Como sobrou um pouco de água no balde, o noviço simplesmente virou-se e jogou a água no chão, perto da tina. O mestre ao ver isso gritou para o outro monge:
"Por que fizestes tal estupidez?! Tudo tem utilidade. Por que desperdiçou a água? Poderia tê-la despejado sob uma planta ou árvore, onde poderia ser útil! Ou então por que não a jogou num canteiro de flores? Nunca se esqueça: não devemos desperdiçar nem mesmo uma gota de água, nem uma folha de grama!!
"Tudo neste mundo é valioso."
Ouvindo isso, o monge noviço compreendeu o significado da vida. Desde então ele ficou conhecido como "Gota D'água".

domingo, 25 de abril de 2010

Olhando da Maneira Correta

Havia em uma aldeia uma velha chamada "mulher chorosa" pois todos os dias, chovendo ou fazendo sol, ela sempre estava chorando. Ela vendia bolinhos na rua, e um monge sempre passava por ela quando ia ao grande templo para os ritos. Um dia, curioso, ele lhe perguntou:
"Sempre que passo, seja em belos dias ensolarados, seja em suaves dias chuvosos, vejo a senhora chorando. Por que isso acontece?"
"Tenho dois filhos," ela respondeu, "Um faz delicadas sandálias, o outro guarda-chuvas. Quando faz sol, penso que ninguém comprará os guarda-chuvas de meu filho, e ele e sua família vão passar necessidades. Quando chove, penso no meu filho que faz sandálias, e que ninguém vai comprá-las. Então ele também vai ter dificuldade para sustentar sua família."
O monge sorriu e disse:
"Mas... a senhora deveria ver as coisas de forma correta. Veja: quando o sol brilha, seu filho que faz sandálias venderá muito, e isso é muito bom! Quando chove, seu filho que faz guarda-chuvas venderá muito, e isso é também muito bom!"
A velha olhou-o com alegria e exclamou:
"Tem razão!"
Desde então a velha passa todos os dias, chovendo ou fazendo sol, sorrindo feliz.


Salvar Vidas

Havia um médico na antiga China, cujo trabalho era cuidar dos soldados nas batalhas. Entretanto a angústia de ver as atrocidades da guerra, e o fato de que sua função como médico parecia inútil, pois sempre que curava um soldado este voltava à guerra e eventualmente morria, fez com que ele pensasse:
"Se o destino de todas as pessoas é morrer, por que devo eu buscar salvar vidas? Se minha medicina tem realmente valor, por que estes homens, após serem curados, voltam a buscar a morte?"
Sem conseguir encontrar uma resposta, o médico abandonou sua profissão e foi às montanhas procurar um sábio mestre Zen. Após meses de prática, ele finalmente compreendeu seu dilema. Afastou-se de seu retiro e voltou à cidade. Quando lá chegou, um amigo seu cumprimentou-o pela sua volta e disse:
"Que felicidade vê-lo de volta. Encontrou a resposta para sua dúvida?"
"Descobri que todo este tempo fiz a pergunta errada. Não sou médico porque busco salvar vidas; sou médico porque a Vida merece ser perpetuada o mais possível. O médico não salva a vida de outrem; ele apenas ajuda a perpetuar a Vida Universal (o Tao) em cada ser que busca curar. Pois a vida de cada ser é uma só Vida, e cada vez que curo alguém, mantenho o Tao em perpétuo e maravilhoso movimento."



Perfeição

Certo dia um Mestre falava para seus alunos sobre a natureza da Perfeição. Um dos discípulos, céptico quanto a possibilidade de poder realmente algo chegar à perfeição concretamente e incapaz de compreender o sentido do que o Mestre falava, observou próximo ao grupo um cesto de maçãs e disse ironicamente:

"Mestre, fiquei fascinado com sua explicação sobre a Perfeição. Poderia o senhor, para ilustrar o que acabou de dizer, me dar uma maçã perfeita?"

O Mestre calmamente olhou dentro da cesta, retirou uma maçã e entregou ao aluno. Pegando-a, este viu que a fruta estava com uma parte podre num dos lados. Olhou para o professor e disse arrogante:

"Essa é a perfeição de que fala? Esta maçã tem uma parte podre!"

"Sim," replicou o Mestre. "Mas para teu nível de compreensão e discernimento, esta maçã podre é o máximo de maçã perfeita que poderás obter..."

Onde Começa o Caminho?

Um dia, um discípulo foi ao mestre Kian-fang e perguntou-lhe:
"Todas as direções levam ao caminho de Buddha, mas apenas uma conduz ao Nirvana. Por favor, mestre, diga-me onde começa este Caminho?"
O velho mestre fez um risco no chão com seu bastão e disse:
"Aqui".




Inferno?

Um homem perguntou ao mestre Zen:
"Onde estará o senhor daqui a cem anos?"
"Renascido como um cavalo ou um burro", respondeu o velho sábio.
"Oh!", exclamou o homem , confuso. "E depois disso?"
"Renascerei em um Naraka[1]", declarou o mestre.
"Mas... o senhor é um homem bom e sábio, por que tal coisa aconteceria?" perguntou o homem.
"Se não renascer lá para ensinar o Dharma, quem o fará?"

[1] Região de demérito kármico, associada ao semita "Inferno".

Koan: O Dharma está em toda parte. Onde tu estarás daqui a cem anos?


sábado, 3 de abril de 2010

Percepções
Nossas percepções carregam consigo todos os erros da subjetividade. Por isso elogiamos, culpamos, condenamos ou nos queixamos, dependendo das percepções. Só que nossas percepções são formadas pelas aflições - desejo, raiva, ignorância, visões errôneas e preconceitos. Ser feliz ou sofrer depende inteiramente das nossas percepções. É importante examinar as nossas percepções e desvendar a sua origem.
- Thich Nhat Hanh



















O Tao e o Mundo
Certa vez, o mestre Zen Fa-yun disse aos seus discípulos:
"Suponham que estejam em uma situação na qual, se avançarem perderão o Tao [o sentido da Vida], se recuarem, perderão o Mundo [a vivência Cotidiana], e se não se moverem, terão demonstrado uma ignorância tão grande quanto a de uma pedra. O que fariam?"
Um dos monges, confuso, disse:
"Neste caso, como evitar parecer ignorante?"
O Mestre respondeu:
"Abandonem o Apego e a Aversão, e saibam realizar todo seu potencial."
"Mas," replicou outro monge, “neste caso, como evitar perder o Tao ou o Mundo?! Ambos são fundamentais. Como podemos existir ignorantes do Sentido da Vida, ou ignorantes da maravilha da Existência Cotidiana?"
O sábio declarou, enfim:
"Avancem e recuem ao mesmo tempo, com fluidez e humildade!"




Não acredite ...
Não acredite em algo simplesmente porque você ouviu;
Não acredite em tradições porque elas existem há muitas gerações;
Não acredite em algo porque é dito por muitos;
Não acredite meramente em afirmações escritas de sábios antigos;
Não acredite em conjecturas;
Não acredite em algo como verdade por força do hábito;
Não acredite meramente na autoridade de seus mestres e anciãos.
Somente após a observação e análise, e quando for de acordo com a razão
e condutivo para o bem e benefício de todos, somente então aceite e viva para isso.

- Buda

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Desfazendo Equívocos

Se você quer milagres, não procure o budismo. O supremo milagre para o budismo é você lavar seu prato depois de comer.

Se você quer curar seu corpo físico, não procure o budismo. O budismo só cura os males de sua mente: ignorância, cólera e desejos desenfreados.

Se você quiser arranjar emprego ou melhorar sua situação financeira, não procure o budismo. Você se decepcionará, pois ele vai lhe falar sobre desapego em relação aos bens materiais. Não confunda, porém, desapego com renúncia.

Se você quer poderes sobrenaturais, não procure o budismo. Para o budismo, o maior poder sobrenatural é o triunfo sobre o egoísmo.

Se você quer triunfar sobre seus inimigos, não procure o budismo. Para o budismo, o único triunfo que conta é o do homem sobre si mesmo.

Se você quer a vida eterna em um paraíso de delícias, não procure o budismo, pois ele matará seu ego aqui e agora.

Se você quer massagear seu ego com poder, fama, elogios e outras vantagens, não procure o budismo. A casa de Buda não é a casa da inflação dos egos.

Se você quer a proteção divina, não procure o budismo. Ele lhe ensinará que você só pode contar consigo mesmo.

Se você quer um caminho para Deus, não procure o budismo. Ele o lançará no vazio.

Se você quer alguém que perdoe suas falhas, deixando-o livre para errar de novo, não procure o budismo, pois ele lhe ensinará a implacável Lei de Causa e Efeito e a necessidade de uma autocrítica consciente e profunda.

Se você quer respostas cômodas e fáceis para suas indagações existenciais, não procure o budismo. Ele aumentará suas dúvidas.

Se você quer uma crença cega, não procure o budismo. Ele o ensinará a pensar com sua própria cabeça.

Se você é dos que acham que a verdade está nas escrituras, não procure o budismo. Ele lhe dirá que o papel é muito útil para limpar o lixo acumulado no intelecto.

Se você quer saber a verdade sobre os discos voadores ou sobre a civilização de Atlântida, não procure o budismo. Ele só revelará a verdade sobre você mesmo.

Se você quer se comunicar com espíritos, não procure o budismo. Ele só pode ensinar você a se comunicar com seu verdadeiro eu.

Se você quer conhecer suas encarnações passadas, não procure o budismo. Ele só pode lhe mostrar sua miséria presente.

Se você quer conhecer o futuro, não procure o budismo. Ele só vai lhe mandar prestar atenção a seus pés, enquanto você anda.

Se você quer ouvir palavras bonitas, não procure o budismo. Ele só tem o silêncio a lhe oferecer.

Se você quer ser sério e austero, não procure o budismo. Ele vai ensiná-lo a brincar e a se divertir.

Se você quer brincar e se divertir, não procure o budismo. Ele o ensinará a ser sério e austero.

Se você quer viver, não procure o budismo, pois ele o ensinará a morrer.

Se você quer morrer, não procure o budismo, pois ele o ensinará a viver.


Reverenda Yvonette Silva Gonçalves

segunda-feira, 29 de março de 2010

Dez Recomendações
SOBRE O CORPO: não peça que todas as doenças sejam eliminadas, pois, quando o corpo está a salvo de todas as doenças, a cobiça logo surge. Quando a cobiça aparece, os preceitos são quebrados e o progresso se transforma em retrocesso.
SOBRE A GESTÃO DOS ASSUNTOS TERRENOS: não peça que todas as tarefas sejam fáceis, pois, quando tudo é muito fácil, o orgulho logo brota na mente. Quando o orgulho surge, a petulância e a mentira aparecem.
SOBRE O PENSAMENTO: não peça que o raciocínio seja sempre desimpedido, pois, quando o pensamento não encontra obstáculos, rapidamente se torna febril e irregular. Quando o pensar assume essas qualidades, surge a ilusão e passamos a acreditar que o falso é verdadeiro e o verdadeiro, falso.
SOBRE A PRÁTICA DO BUDISMO: não peça que não haja provações, pois, quando alguém não é testado, seus votos não se fortalecem. Quando os votos não são firmes, podemos facilmente ser levados a acreditar que foi alcançado o que ainda não alcançamos.
SOBRE O PLANEJAMENTO: não peça que planejar seja sempre simples, pois, quando tal acontece, a vontade torna-se fraca e ineficaz. Quando a vontade da pessoa é fraca e ineficaz, ela pode se convencer de que tem menos capacidades do que realmente tem.
SOBRE AS AMIZADES: não peça que tudo seja sempre feito à sua maneira, pois, quando esse é o caso, logo perdemos a noção do que é certo e errado. Quando essa noção é perdida, tendemos a acusar os outros por qualquer coisa que vá mal.
SOBRE AS PESSOAS: não peça que os outros sempre acatem sua liderança, pois, quando isso acontece, a arrogância logo desponta. Quando alguém se torna arrogante, passa a aferrar-se aos apegos do ego.
SOBRE A MORALIDADE: não peça para ser recompensado por seu comportamento moral, pois, quando isso acontece, tornamo-nos logo calculistas em relação a tudo o que fazemos. Quando alguém se torna calculista, começa a ansiar por fama e boa reputação.
SOBRE OS LUCROS: não peça por sempre obter parte dos lucros pois, quando isso acontece, logo surgem a preguiça e a morosidade. Quando alguém se torna preguiçoso e lerdo, logo se prejudica.
SOBRE AS FALSAS ACUSAÇÕES: não tente se justificar ou explicar, pois isso apenas fortalece a ilusão da individualidade isolada. Quando surge a ilusão da individualidade isolada, pensamentos de ira e vingança não demoram a se apresentar.
- Grande Mestre Hsing Yün

Desfazendo Equívocos

Se você quer milagres, não procure o budismo. O supremo milagre para o budismo é você lavar seu prato depois de comer.

Se você quer curar seu corpo físico, não procure o budismo. O budismo só cura os males de sua mente: ignorância, cólera e desejos desenfreados.

Se você quiser arranjar emprego ou melhorar sua situação financeira, não procure o budismo. Você se decepcionará, pois ele vai lhe falar sobre desapego em relação aos bens materiais. Não confunda, porém, desapego com renúncia.

Se você quer poderes sobrenaturais, não procure o budismo. Para o budismo, o maior poder sobrenatural é o triunfo sobre o egoísmo.

Se você quer triunfar sobre seus inimigos, não procure o budismo. Para o budismo, o único triunfo que conta é o do homem sobre si mesmo.

Se você quer a vida eterna em um paraíso de delícias, não procure o budismo, pois ele matará seu ego aqui e agora.

Se você quer massagear seu ego com poder, fama, elogios e outras vantagens, não procure o budismo. A casa de Buda não é a casa da inflação dos egos.

Se você quer a proteção divina, não procure o budismo. Ele lhe ensinará que você só pode contar consigo mesmo.

Se você quer um caminho para Deus, não procure o budismo. Ele o lançará no vazio.

Se você quer alguém que perdoe suas falhas, deixando-o livre para errar de novo, não procure o budismo, pois ele lhe ensinará a implacável Lei de Causa e Efeito e a necessidade de uma autocrítica consciente e profunda.

Se você quer respostas cômodas e fáceis para suas indagações existenciais, não procure o budismo. Ele aumentará suas dúvidas.
Se você quer uma crença cega, não procure o budismo. Ele o ensinará a pensar com sua própria cabeça.

Se você é dos que acham que a verdade está nas escrituras, não procure o budismo. Ele lhe dirá que o papel é muito útil para limpar o lixo acumulado no intelecto.

Se você quer saber a verdade sobre os discos voadores ou sobre a civilização de Atlântida, não procure o budismo. Ele só revelará a verdade sobre você mesmo.

Se você quer se comunicar com espíritos, não procure o budismo. Ele só pode ensinar você a se comunicar com seu verdadeiro eu.

Se você quer conhecer suas encarnações passadas, não procure o budismo. Ele só pode lhe mostrar sua miséria presente.

Se você quer conhecer o futuro, não procure o budismo. Ele só vai lhe mandar prestar atenção a seus pés, enquanto você anda.

Se você quer ouvir palavras bonitas, não procure o budismo. Ele só tem o silêncio a lhe oferecer.

Se você quer ser sério e austero, não procure o budismo. Ele vai ensiná-lo a brincar e a se divertir.

Se você quer brincar e se divertir, não procure o budismo. Ele o ensinará a ser sério e austero.

Se você quer viver, não procure o budismo, pois ele o ensinará a morrer.

Se você quer morrer, não procure o budismo, pois ele o ensinará a viver.


Reverenda Yvonette Silva Gonçalves