A vontade é impotente perante o que está para trás dela. Não poder destruir o tempo, nem a avidez transbordante do tempo, é a angústia mais solitária da vontade.
Friedrich Nietzsche
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segunda-feira, 11 de outubro de 2010
sábado, 26 de junho de 2010
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Em 1970 alguém pediu a Osho que dizesse quais eram os seus 10 mandamentos :
Nunca obedeça a ninguém, a menos que a ordem também venha de dentro de você próprio.
Não existe um Deus além da vida, ela mesma.
A verdade está dentro de você. Não procure em nenhum outro lugar .
Amar é rezar.
Tornar-se um Nada é a porta para a verdade. Insignificância é por si só o meio, a meta e a finalidade.
A vida está aqui e agora.
Viva desperto.
Não nade, flutue.
Morra a cada momento. Assim você poderá estar novo a cada momento.
Nâo busque. Aquilo que é, é. Pare e veja.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Um velho índio estava ensinando seus netos sobre a vida. Ele disse-lhes: "A batalha está sendo travada dentro de mim ... é uma luta terrível entre dois lobos. Um lobo representa o medo, raiva, inveja, tristeza, desgosto, cobiça, arrogância, auto-piedade, culpa, ressentimento, inferioridade , mentiras, orgulho falso, superioridade e ego. O outro representa a luta pela alegria, paz, amor, esperança, partilha, serenidade, humildade, bondade, benevolência, amizade, empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé. "
O velho fixa as crianças com um olhar firme. "Essa mesma luta está acontecendo dentro de você, e dentro de cada pessoa, também."
Eles pensaram nisso por um minuto e, em seguida, uma criança perguntou ao seu avô: "Qual lobo vai vencer?"
O velho Cherokee respondeu: "O que você alimenta."
Alberto Caeiro
A Guerra
A guerra que aflige com os seus esquadrões o Mundo,
É o tipo perfeito do erro da filosofia.
A guerra, como todo humano, quer alterar.
Mas a guerra, mais do que tudo, quer alterar e alterar muito
E alterar depressa.
Mas a guerra inflige a morte.
E a morte é o desprezo do Universo por nós.
Tendo por conseqüência a morte, a guerra prova que é falsa.
Sendo falsa, prova que é falso todo o querer alterar.
Deixemos o universo exterior e os outros homens onde a Natureza
os pôs.
Tudo é orgulho e inconsciência.
Tudo é querer mexer-se, fazer cousas, deixar rasto.
Para o coração e o comandante dos esquadrões
Regressa aos bocados o universo exterior.
A química direta da Natureza
Não deixa lugar vago para o pensamento.
A humanidade é uma revolta de escravos.
A humanidade é um governo usurpado pelo povo.
Existe porque usurpou, mas erra porque usurpar é não ter direito.
Deixai existir o mundo exterior e a humanidade natural!
Paz a todas as cousas pré-humanas, mesmo no homem!
Paz à essência inteiramente exterior do Universo!
terça-feira, 11 de maio de 2010
Alberto Caieiro
A Espantosa Realidade das Cousas
A espantosa realidade das cousas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada cousa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.
Basta existir para se ser completo.
Tenho escrito bastantes poemas.
Hei de escrever muitos mais. naturalmente.
Cada poema meu diz isto,
E todos os meus poemas são diferentes,
Porque cada cousa que há é uma maneira de dizer isto.
Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
Não me ponho a pensar se ela sente.
Não me perco a chamar-lhe minha irmã.
Mas gosto dela por ela ser uma pedra,
Gosto dela porque ela não sente nada.
Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.
Outras vezes oiço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.
Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto;
Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem estorvo,
Nem idéia de outras pessoas a ouvir-me pensar;
Porque o penso sem pensamentos
Porque o digo como as minhas palavras o dizem.
Uma vez chamaram-me poeta materialista,
E eu admirei-me, porque não julgava
Que se me pudesse chamar qualquer cousa.
Eu nem sequer sou poeta: vejo.
Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:
O valor está ali, nos meus versos.
Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade.
sábado, 8 de maio de 2010
"Nunca estive tão perto de minha verdadeira felicidade quanto na época daquele amor por Lili. Os obstáculos que nos separavam não eram no fundo insuperáveis, e, no entanto, eu a perdi. Ela foi a primeira por quem experimentei um amor profundo e verdadeiro. Posso dizer também que foi a última, porque todas as paixões que tive no decorrer de minha vida, comparadas a essa primeira, não passaram de atrações ligeiras e superficiais."
- Os Imortais da Literatura Universal. vol 1. Abril Cultural: São Paulo, 1971. pp. 63-64.
Johann Wolfgang von Goethe
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Era uma daquelas existências anônimas, entomológicas, como existem em certo imóveis, onde se fica sabendo, no fim de quatro anos, que existe um velho senhor no quarto andar que conheceu Voltaire, Pilastre de Rosier, Beaujou, Marcel, Mole, Sophie Arnould, Franklin e Robespierre.”
- Balzac; A Prima Bete
"Deus é um comediante entretendo uma platéia com medo demais para rir."
- Voltaire
"O segredo de aborrecer é dizer tudo."
- Voltaire
"O abuso da graça é afetação; o abuso do sublime, absurdo. Toda perfeição é um defeito."
- Voltaire
"Como é que um homem pode se tornar senhor de outro homem e por que espécie de incompreensível magia pôde esse homem se tornar senhor de muitos outros homens?"
- Voltaire
- Balzac; A Prima Bete
"Deus é um comediante entretendo uma platéia com medo demais para rir."
- Voltaire
"O segredo de aborrecer é dizer tudo."
- Voltaire
"O abuso da graça é afetação; o abuso do sublime, absurdo. Toda perfeição é um defeito."
- Voltaire
"Como é que um homem pode se tornar senhor de outro homem e por que espécie de incompreensível magia pôde esse homem se tornar senhor de muitos outros homens?"
- Voltaire
terça-feira, 4 de maio de 2010
Alberto Caeiro
Se Eu Morrer Novo
Se eu morrer novo,
Sem poder publicar livro nenhum,
Sem ver a cara que têm os meus versos em letra impressa,
Peço que, se se quiserem ralar por minha causa,
Que não se ralem.
Se assim aconteceu, assim está certo.
Mesmo que os meus versos nunca sejam impressos,
Eles lá terão a sua beleza, se forem belos.
Mas eles não podem ser belos e ficar por imprimir,
Porque as raízes podem estar debaixo da terra
Mas as flores florescem ao ar livre e à vista.
Tem que ser assim por força. Nada o pode impedir.
Se eu morrer muito novo, oiçam isto:
Nunca fui senão uma criança que brincava.
Fui gentio como o sol e a água,
De uma religião universal que só os homens não têm.
Fui feliz porque não pedi cousa nenhuma,
Nem procurei achar nada,
Nem achei que houvesse mais explicação
Que a palavra explicação não ter sentido nenhum.
Não desejei senão estar ao sol ou à chuva —
Ao sol quando havia sol
E à chuva quando estava chovendo (E nunca a outra cousa),
Sentir calor e frio e vento,
E não ir mais longe.
Uma vez amei, julguei que me amariam,
Mas não fui amado.
Não fui amado pela única grande razão —
Porque não tinha que ser.
Consolei-me voltando ao sol e à chuva,
E sentando-me outra vez à porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados
Como para os que o não são.
Sentir é estar distraído.
domingo, 2 de maio de 2010
Alberto Caeiro
O Universo
O universo não é uma idéia minha.
A minha idéia do Universo é que é uma idéia minha.
A noite não anoitece pelos meus olhos,
A minha idéia da noite é que anoitece por meus olhos.
Fora de eu pensar e de haver quaisquer pensamentos
A noite anoitece concretamente
E o fulgor das estrelas existe como se tivesse peso.
O Universo
O universo não é uma idéia minha.
A minha idéia do Universo é que é uma idéia minha.
A noite não anoitece pelos meus olhos,
A minha idéia da noite é que anoitece por meus olhos.
Fora de eu pensar e de haver quaisquer pensamentos
A noite anoitece concretamente
E o fulgor das estrelas existe como se tivesse peso.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
terça-feira, 27 de abril de 2010
Para além da curva da estrada
Para além da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
Só olho para a estrada antes da curva,
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
E para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.
Por ora só sabemos que lá não estamos.
Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
Há a estrada sem curva nenhuma.
Alberto Caeiro
O Mestre Certo
Os mestres Da-yu e Yu-tang aceitaram o convite para ensinar um alto oficial imperial sobre o Zen. Ao chegar Yu-tang apressou-se em dizer, politicamente:
"Vós pareceis um homem inteligente e receptivo, e isso é muito bom! Creio que serias um bom aprendiz Zen."
Mas Da-yu replicou, sem preocupar-se com suavidades:
"O que dizeis?! Este tolo pode ter uma alta posição, mas não perceberia o Zen nem se este lhe caísse na cabeça!"
O oficial, após ouvir os comentários, disse:
"Ouvindo o que ouvi, agora sei o que fazer para entender o Zen."
A partir de então, tornou-se estudande sob a orientação de Da-yu...
Nada é Desperdiçado
Certo dia, o mestre Yi-shan tomava banho, mas a água estava muito quente. Ele pediu então ao seu discípulo que trouxesse água fria. O discípulo encheu um balde e foi despejando-o devagar na tina de banho, e em determinado momento o mestre disse:
"Está bom, obrigado. A quentura foi diminuída e agora está muito agradável."
Como sobrou um pouco de água no balde, o noviço simplesmente virou-se e jogou a água no chão, perto da tina. O mestre ao ver isso gritou para o outro monge:
"Por que fizestes tal estupidez?! Tudo tem utilidade. Por que desperdiçou a água? Poderia tê-la despejado sob uma planta ou árvore, onde poderia ser útil! Ou então por que não a jogou num canteiro de flores? Nunca se esqueça: não devemos desperdiçar nem mesmo uma gota de água, nem uma folha de grama!!
"Tudo neste mundo é valioso."
Ouvindo isso, o monge noviço compreendeu o significado da vida. Desde então ele ficou conhecido como "Gota D'água".
domingo, 25 de abril de 2010
Olhando da Maneira Correta
Havia em uma aldeia uma velha chamada "mulher chorosa" pois todos os dias, chovendo ou fazendo sol, ela sempre estava chorando. Ela vendia bolinhos na rua, e um monge sempre passava por ela quando ia ao grande templo para os ritos. Um dia, curioso, ele lhe perguntou:
"Sempre que passo, seja em belos dias ensolarados, seja em suaves dias chuvosos, vejo a senhora chorando. Por que isso acontece?"
"Tenho dois filhos," ela respondeu, "Um faz delicadas sandálias, o outro guarda-chuvas. Quando faz sol, penso que ninguém comprará os guarda-chuvas de meu filho, e ele e sua família vão passar necessidades. Quando chove, penso no meu filho que faz sandálias, e que ninguém vai comprá-las. Então ele também vai ter dificuldade para sustentar sua família."
O monge sorriu e disse:
"Mas... a senhora deveria ver as coisas de forma correta. Veja: quando o sol brilha, seu filho que faz sandálias venderá muito, e isso é muito bom! Quando chove, seu filho que faz guarda-chuvas venderá muito, e isso é também muito bom!"
A velha olhou-o com alegria e exclamou:
"Tem razão!"
Desde então a velha passa todos os dias, chovendo ou fazendo sol, sorrindo feliz.
Salvar Vidas
Havia um médico na antiga China, cujo trabalho era cuidar dos soldados nas batalhas. Entretanto a angústia de ver as atrocidades da guerra, e o fato de que sua função como médico parecia inútil, pois sempre que curava um soldado este voltava à guerra e eventualmente morria, fez com que ele pensasse:
"Se o destino de todas as pessoas é morrer, por que devo eu buscar salvar vidas? Se minha medicina tem realmente valor, por que estes homens, após serem curados, voltam a buscar a morte?"
Sem conseguir encontrar uma resposta, o médico abandonou sua profissão e foi às montanhas procurar um sábio mestre Zen. Após meses de prática, ele finalmente compreendeu seu dilema. Afastou-se de seu retiro e voltou à cidade. Quando lá chegou, um amigo seu cumprimentou-o pela sua volta e disse:
"Que felicidade vê-lo de volta. Encontrou a resposta para sua dúvida?"
"Descobri que todo este tempo fiz a pergunta errada. Não sou médico porque busco salvar vidas; sou médico porque a Vida merece ser perpetuada o mais possível. O médico não salva a vida de outrem; ele apenas ajuda a perpetuar a Vida Universal (o Tao) em cada ser que busca curar. Pois a vida de cada ser é uma só Vida, e cada vez que curo alguém, mantenho o Tao em perpétuo e maravilhoso movimento."
Havia em uma aldeia uma velha chamada "mulher chorosa" pois todos os dias, chovendo ou fazendo sol, ela sempre estava chorando. Ela vendia bolinhos na rua, e um monge sempre passava por ela quando ia ao grande templo para os ritos. Um dia, curioso, ele lhe perguntou:
"Sempre que passo, seja em belos dias ensolarados, seja em suaves dias chuvosos, vejo a senhora chorando. Por que isso acontece?"
"Tenho dois filhos," ela respondeu, "Um faz delicadas sandálias, o outro guarda-chuvas. Quando faz sol, penso que ninguém comprará os guarda-chuvas de meu filho, e ele e sua família vão passar necessidades. Quando chove, penso no meu filho que faz sandálias, e que ninguém vai comprá-las. Então ele também vai ter dificuldade para sustentar sua família."
O monge sorriu e disse:
"Mas... a senhora deveria ver as coisas de forma correta. Veja: quando o sol brilha, seu filho que faz sandálias venderá muito, e isso é muito bom! Quando chove, seu filho que faz guarda-chuvas venderá muito, e isso é também muito bom!"
A velha olhou-o com alegria e exclamou:
"Tem razão!"
Desde então a velha passa todos os dias, chovendo ou fazendo sol, sorrindo feliz.
Salvar Vidas
Havia um médico na antiga China, cujo trabalho era cuidar dos soldados nas batalhas. Entretanto a angústia de ver as atrocidades da guerra, e o fato de que sua função como médico parecia inútil, pois sempre que curava um soldado este voltava à guerra e eventualmente morria, fez com que ele pensasse:
"Se o destino de todas as pessoas é morrer, por que devo eu buscar salvar vidas? Se minha medicina tem realmente valor, por que estes homens, após serem curados, voltam a buscar a morte?"
Sem conseguir encontrar uma resposta, o médico abandonou sua profissão e foi às montanhas procurar um sábio mestre Zen. Após meses de prática, ele finalmente compreendeu seu dilema. Afastou-se de seu retiro e voltou à cidade. Quando lá chegou, um amigo seu cumprimentou-o pela sua volta e disse:
"Que felicidade vê-lo de volta. Encontrou a resposta para sua dúvida?"
"Descobri que todo este tempo fiz a pergunta errada. Não sou médico porque busco salvar vidas; sou médico porque a Vida merece ser perpetuada o mais possível. O médico não salva a vida de outrem; ele apenas ajuda a perpetuar a Vida Universal (o Tao) em cada ser que busca curar. Pois a vida de cada ser é uma só Vida, e cada vez que curo alguém, mantenho o Tao em perpétuo e maravilhoso movimento."
Perfeição
Certo dia um Mestre falava para seus alunos sobre a natureza da Perfeição. Um dos discípulos, céptico quanto a possibilidade de poder realmente algo chegar à perfeição concretamente e incapaz de compreender o sentido do que o Mestre falava, observou próximo ao grupo um cesto de maçãs e disse ironicamente:
"Mestre, fiquei fascinado com sua explicação sobre a Perfeição. Poderia o senhor, para ilustrar o que acabou de dizer, me dar uma maçã perfeita?"
O Mestre calmamente olhou dentro da cesta, retirou uma maçã e entregou ao aluno. Pegando-a, este viu que a fruta estava com uma parte podre num dos lados. Olhou para o professor e disse arrogante:
"Essa é a perfeição de que fala? Esta maçã tem uma parte podre!"
"Sim," replicou o Mestre. "Mas para teu nível de compreensão e discernimento, esta maçã podre é o máximo de maçã perfeita que poderás obter..."
Certo dia um Mestre falava para seus alunos sobre a natureza da Perfeição. Um dos discípulos, céptico quanto a possibilidade de poder realmente algo chegar à perfeição concretamente e incapaz de compreender o sentido do que o Mestre falava, observou próximo ao grupo um cesto de maçãs e disse ironicamente:
"Mestre, fiquei fascinado com sua explicação sobre a Perfeição. Poderia o senhor, para ilustrar o que acabou de dizer, me dar uma maçã perfeita?"
O Mestre calmamente olhou dentro da cesta, retirou uma maçã e entregou ao aluno. Pegando-a, este viu que a fruta estava com uma parte podre num dos lados. Olhou para o professor e disse arrogante:
"Essa é a perfeição de que fala? Esta maçã tem uma parte podre!"
"Sim," replicou o Mestre. "Mas para teu nível de compreensão e discernimento, esta maçã podre é o máximo de maçã perfeita que poderás obter..."
Onde Começa o Caminho?
Um dia, um discípulo foi ao mestre Kian-fang e perguntou-lhe:
"Todas as direções levam ao caminho de Buddha, mas apenas uma conduz ao Nirvana. Por favor, mestre, diga-me onde começa este Caminho?"
O velho mestre fez um risco no chão com seu bastão e disse:
"Aqui".
Um dia, um discípulo foi ao mestre Kian-fang e perguntou-lhe:
"Todas as direções levam ao caminho de Buddha, mas apenas uma conduz ao Nirvana. Por favor, mestre, diga-me onde começa este Caminho?"
O velho mestre fez um risco no chão com seu bastão e disse:
"Aqui".
Inferno?
Um homem perguntou ao mestre Zen:
"Onde estará o senhor daqui a cem anos?"
"Renascido como um cavalo ou um burro", respondeu o velho sábio.
"Oh!", exclamou o homem , confuso. "E depois disso?"
"Renascerei em um Naraka[1]", declarou o mestre.
"Mas... o senhor é um homem bom e sábio, por que tal coisa aconteceria?" perguntou o homem.
"Se não renascer lá para ensinar o Dharma, quem o fará?"
[1] Região de demérito kármico, associada ao semita "Inferno".
Koan: O Dharma está em toda parte. Onde tu estarás daqui a cem anos?
Um homem perguntou ao mestre Zen:
"Onde estará o senhor daqui a cem anos?"
"Renascido como um cavalo ou um burro", respondeu o velho sábio.
"Oh!", exclamou o homem , confuso. "E depois disso?"
"Renascerei em um Naraka[1]", declarou o mestre.
"Mas... o senhor é um homem bom e sábio, por que tal coisa aconteceria?" perguntou o homem.
"Se não renascer lá para ensinar o Dharma, quem o fará?"
[1] Região de demérito kármico, associada ao semita "Inferno".
Koan: O Dharma está em toda parte. Onde tu estarás daqui a cem anos?
Ausência
de Carlos Drummond de Andrade
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Precisão
de Clarice Lispector
O que me tranqüiliza
é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.
O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.
Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe
com essa exatidão
nos é tecnicamente invisível.
O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.
Nós terminamos adivinhando, confusos,
a perfeição.
Meu Deus, me dê a coragem
Clarice Lispector
Meu Deus, me dê a coragem
de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio
como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde,
entrelaçada a Ti em êxtase.
Faça com que eu possa falar
com este vazio tremendo
e receber como resposta
o amor materno que nutre e embala.
Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,
sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.
Faça com que a solidão não me destrua.
Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Faça com que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços
o meu pecado de pensar.
terça-feira, 20 de abril de 2010
Sonetilho do Falso Fernando Pessoa
de Carlos Drummond de Andrade
Onde nasci, morri.
Onde morri, existo.
E das peles que visto
muitas há que não vi.
Sem mim como sem ti
posso durar. Desisto
de tudo quanto é misto
e que odiei ou senti.
Nem Fausto nem Mefisto,
à deusa que se ri
deste nosso oaristo,
eis-me a dizer: assisto
além, nenhum, aqui,
mas não sou eu, nem isto.
O espectador
Olhar a televisão
Sem prestar atenção,
Ver apenas figuras a moverem-se na tela
E só assim talvez terei alguma compreensão
Da nossa vida e do sentido dela...
Mário Quintana
O tamanho da gente
O homem acha o Cosmos infinitamente grande
E o micróbio infinitamente pequeno.
E ele, naturalmente,
Julga-se do tamanho natural...
Mas, para Deus, é diferente:
Cada ser, para Ele, é um universo próprio.
E, a Seus olhos, o bacilo de Koch,
A estrela Sírius e o Prefeito de Três Vassouras
São todos infinitamente do mesmo tamanho...
Mário Quintana
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